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@@ -253,8 +253,6 @@ Quanto ao resto da prefeitura, mandei um email avisando que minha família já n
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Na escola, fiz questão de agradecer a professora do meu filho. Ela não era especializada com autistas, mas tentava de todas as formas fazer com que a estadia do meu filho fosse boa. A assistente foi excepcional com meu filho, tentando de todas as formas fazê-lo se sentir bem. Uma pena não tê-la encontrado lá.
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A professora de dinamarquês me escreveu no sistema escolar, Aula. Ela perguntou porque minha filha não foi à escola. Respondi seco que ela não morava mais na Dinamarca. A professora me pediu para ir à escola, pois ela queria entregar algumas coisas para a minha filha. Respondi que meu endereço continuava o mesmo, e que poderia deixar o que quisesse lá. Nunca me responderam, tampouco deixaram algo na caixa de correio.
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Meus filhos tiveram a sorte de sempre terem pessoas boas ao redor. Eles foram a um jardim da infância particular, que era inclusive mais barato que o público. Lá, as educadoras eram super atenciosas com eles, independe de diagnóstico, cultura, língua materna ou comida na lancheira. Meu filho foi para um jardim da infância público depois, e lá sua situação foi terrível. Somente uma educadora o ajudava, e a diretora inclusive fez questão de cobrar pela comida que ele não comia. Ela alegava que, enquanto não saísse o diagnóstico dele, ele seria tratado como uma criança normal. Ele até apanhava normalmente com galhos de árvore de outras crianças. Me lembro que a diretora de uma das escolas me disse no primeiro dia:
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– Seu filho é uma criança muito amável! Me pergunto o que irá acontecer quando as outras crianças começarem a bater nele.
@@ -263,6 +261,8 @@ Já a minha filha tinha ido para uma escola em Roskilde após a prefeitura aplic
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De pessoas boas, estávamos rodeados. Infelizmente, bastaram apenas algumas pessoas más na escola e na prefeitura para que tudo o que construímos desmoronasse diante dos nossos olhos. Aqueles dias solitários que se seguiram foram preenchidos com um filme de toda a nossa história ali naquele cantinho pacato que um dia chamamos de lar.
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A professora de dinamarquês me escreveu no sistema escolar, Aula. Ela perguntou porque minha filha não foi à escola. Respondi seco que ela não morava mais na Dinamarca. A professora me pediu para ir à escola, pois ela queria entregar algumas coisas para a minha filha. Respondi que meu endereço continuava o mesmo, e que poderia deixar o que quisesse lá. Nunca me responderam, tampouco deixaram algo na caixa de correio.
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Certo dia, fui à Roskilde comprar panelas novas pra levar ao Brasil. Já tinha vendido o carro, então fui de ônibus mesmo. Me fez lembrar o início de tudo, em que eu andava pra lá e pra cá de ônibus em busca de uma papinha de banana com o rótulo antigo para o meu filho. Naquela época, ele mordia os lábios para não comer nada. Sua boca sangrava, enquanto eu ouvia ao telefone o médico dizer "continue tentando, não há nada que eu possa fazer".
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Os dias se passavam, mas parecia que eu só rebobinava a fita. Não sei ao certo a que horas ia dormir, nem a que horas acordava. Por vezes passava a noite em claro. Não tinha fome e nem queria sair do quarto. Só queria dormir e esperar o dia de ir ao Brasil mais uma vez. Eu ainda teria mais uma viagem de ida e volta antes de ir embora de vez.
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